No mercado financeiro, a busca por resultados sempre esteve no centro das discussões. Rentabilidade, retorno, performance — esses termos moldaram o imaginário do assessor de investimentos por anos. Mas o jogo mudou.
Hoje, é cada vez mais claro que não se trata apenas de entregar resultados. Trata-se de como esses resultados são construídos. Em um mundo de clientes mais conscientes, regulação mais exigente e reputação como diferencial competitivo, o assessor precisa encontrar o ponto de equilíbrio entre ética e performance.
A nova demanda do cliente: clareza, não apenas retorno
O investidor moderno quer mais do que bons produtos. Ele quer saber como você ganha dinheiro, por que você indicou aquele fundo, e quais os riscos reais envolvidos. A relação com o assessor está cada vez mais parecida com a de um conselheiro: precisa ser transparente, confiável e, acima de tudo, sincera.
A ética profissional, nesse contexto, passa a ser um ativo. Não mais um diferencial moral, mas uma vantagem estratégica. Quem comunica com clareza, atua com isenção e explica suas motivações conquista a lealdade do cliente.
O papel da ABAI na formação de uma cultura ética
A ABAI entende que um mercado sólido se constrói sobre confiança. Por isso, a entidade tem investido em:
- Cursos e trilhas de ética aplicada
- Manuais de conduta profissional
- Campanhas de valorização da transparência
- Canal direto para escuta e mediação de conflitos
Essa atuação não é apenas institucional. É um movimento de construção de reputação coletiva para a profissão.
Performance não pode comprometer a confiança
O sistema de remuneração dos assessores, baseado em comissionamento, muitas vezes gera conflitos. O cliente, ao perceber que há incentivos por trás das recomendações, pode desconfiar da intenção do assessor.
Cabe ao profissional antecipar essa dúvida e atuar com total transparência. Informar a forma de remuneração, justificar escolhas com base no perfil do cliente, documentar recomendações e agir sempre com o foco no longo prazo.
Performance é importante. Mas ela precisa vir acompanhada de coerência, consistência e responsabilidade.
A ética como estratégia de crescimento
Um estudo da CFA Institute mostrou que 72% dos investidores estão dispostos a mudar de profissional se sentirem que há conflitos de interesse mal resolvidos. Por outro lado, a mesma pesquisa indica que 80% dos clientes que se sentem respeitados e bem informados permanecem com seu assessor por mais de 5 anos.
Ou seja: ética não é só questão de reputação. É uma estratégia de retenção e crescimento.
Casos que viraram lição
A ABAI tem reunido histórias de assessores que se destacaram justamente por sua postura ética. Como Rafael*, que recusou indicar um fundo com maior comissionamento por não considerar adequado ao perfil de seu cliente. O resultado? Ganhou um defensor fiel, que indicou mais três novos investidores para sua carteira.
Ou Fernanda*, que resolveu gravar vídeos semanais explicando aos seus clientes como funciona sua remuneração e os riscos de cada produto. Sua taxa de cancelamento caiu pela metade.
(*nomes fictícios)
Não basta saber investir, é preciso saber se posicionar
O mercado financeiro não é mais o mesmo. O cliente mudou. A regulação mudou. E a visibilidade da profissão aumentou.
O novo assessor é aquele que sabe construir relações de longo prazo. Que prioriza a clareza, que está disposto a perder uma comissão hoje para manter um cliente por anos. Que entende que ética não se ensina em uma aula — se constrói no dia a dia.
A ABAI está ao lado desses profissionais. Porque não se trata apenas de resultados. Trata-se de reputação, confiança e legado.
Fontes consultadas:
- CFA Institute Investor Trust Study (2022);
- Código de Conduta da ABAI;
- CVM – Cartilhas de transparência e relacionamento com investidores;
- Relatórios internos ABAI (2023).