Plano de IA no Brasil: o que o assessor de investimentos precisa saber

IA no Brasil

Com o lançamento do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), o Brasil inicia uma nova fase na adoção de tecnologia de ponta, com impactos diretos na indústria, nos serviços financeiros, na regulação e, portanto, com relevância direta para o universo da assessoria de investimentos. O plano prevê cerca de R$ 23 bilhões em investimentos até 2028.

Para o assessor, isso abre duas frentes principais: por um lado, oportunidades de crescimento e inovação; por outro, a necessidade de incorporar o risco regulatório, tecnológico e competitivo nas carteiras e no discurso com o cliente.

Para o assessor, traduzir esse movimento em impacto para empresas investidas, em estratégias de alocação e em conversas com clientes torna-se parte do diferencial competitivo.

O que o plano prevê e quais os eixos que interessam ao mercado financeiro

O PBIA está estruturado em cinco eixos: infraestrutura de IA e dados, difusão e capacitação, inovação empresarial, serviços públicos transformados e regulação/gestão da IA.

No eixo da infraestrutura, prevê-se investimento em data-centers, processamento dedicado, nuvem soberana e cadeias de suprimentos de hardware. Isso tem impacto direto em empresas de tecnologia, em provedores de serviços de TI, em hardware, serviços de nuvem e em fintechs que dependem dessas plataformas.

Na difusão e capacitação, haverá programas para formação de talentos, extensão de IA a pequenas e médias empresas, apoio a startups e iniciativas de requalificação. Isso cria um ambiente onde empresas emergentes podem escalar, mas também traz pressão competitiva sobre empresas tradicionais que não se adaptarem.

No eixo de inovação empresarial, as empresas que adotarem IA de forma estratégica — seja na produção, logística, marketing ou serviços — podem ganhar vantagem de produtividade. Para clientes de carteira, identificar quem está liderando essa adoção pode significar antecipar ganhos.

Quanto aos serviços públicos, a digitalização de atividades estatais, saúde, educação, inteligência de dados governamentais gera demanda para empresas que fornecem soluções de IA, serviços de TI, integração de sistemas, análise de dados.

Por fim, a regulação e governança de IA entram como fator de risco e filtro: empresas vão precisar demonstrar compliance em uso de dados, privacidade, transparência de algoritmos. Isso afeta o valor da empresa e o risco de investimento.

Impactos para o mercado de investimento e para o trabalho do assessor

Para o assessor de investimentos, entender o plano de IA do Brasil significa reconhecer que a tecnologia deixa de ser “apenas tema de startups” e passa a ser vetor de competitividade estratégica. Isso se traduz em três camadas: impacto nas empresas, impacto nos setores e impacto no perfil de risco dos clientes.

No nível da empresa, aquelas que adotarem IA de modo consistente terão potencial de aumentar margens, reduzir custos e ganhar mercado. O assessor deve buscar sinais de liderança digital, investimento tecnológico e vantagem competitiva sustentável.

No nível setorial, setores como financeiro, tecnologia, saúde, agronegócio e infraestrutura são fortemente influenciados por IA. Por exemplo, fintechs que usam algoritmos de crédito, bancos que otimizam back-office via IA, agronegócios que aplicam IA para produtividade, logística que usa visão computacional. Identificar quais empresas concentram essas capacidades é tarefa do assessor.

Quanto ao perfil de risco, a agenda de IA implica uma dupla mudança: novos riscos (regulação de IA, cibersegurança, obsolescência tecnológica) e novas oportunidades (produtos estruturados com tema IA, fundos temáticos, private equity ligado à inovação). O assessor deve atualizar o discurso com o cliente, explicando que tecnologia é agora componente central do risco-retorno.

Estratégias de alocação diante da era IA

Para transformar o plano de IA em alocação, o assessor pode adotar três frentes: construção de portfólio temático, filtros de seleção de empresas e educação para o cliente.

Na construção de portfólio temático, considerar exposição a fundos e ETFs voltados para tecnologia, inteligência artificial, automação industrial, cloud computing. Isso inclui empresas locais listadas que atuam em IA ou têm parceiros estratégicos.

Nos filtros de seleção, é importante incorporar critérios como perfil de inovação da empresa, investimento em P&D, patentes, parcerias com centros de IA, governança de dados e transparência de algoritmos. Essas variáveis passam a contar tanto quanto balanço patrimonial e crescimento de receita.

Na educação do cliente, explicar que a exposição à tecnologia não significa apenas “apostar em modinha”, mas alocar com base em critérios estruturais: “O Brasil está destinando R$ 23 bilhões até 2028 para IA, o que significa que empresas que não se movimentarem correm risco de ficar para trás.” Usar analogia de empresas que evitam digitalização e perdem competitividade.

Riscos que merecem atenção

Como qualquer tema estrutural, a adoção de IA no Brasil tem obstáculos. O assessor precisa mapear e comunicar esses riscos ao cliente.

Um risco é o de execução: planos ambiciosos muitas vezes são adiados ou sub financiados. O PBIA menciona a necessidade de coordenação entre governo, setor privado e academia. Mas se a execução falhar, parte da vantagem esperada se perde.

Outro risco envolve regulação e governança: o uso de IA implica tratamento de dados, privacidade, vieses algorítmicos, possíveis litígios. A regulação brasileira ainda está em construção — o projeto de lei de IA (PL 2338/2023) aponta para avanços, mas há incerteza.

Há também risco de competitividade internacional: empresas estrangeiras com escala global podem entrar no mercado brasileiro rapidamente, reduzindo vantagem das nacionais.

Por fim, risco de concentração tecnológica: se a adoção de IA for dominada por poucas empresas, isso pode gerar bolhas de avaliação ou descolamento entre quem adota e quem fica para trás.

Comunicação com o cliente: orientações para o discurso

No trabalho de assessoria, o tema IA deve entrar no diálogo de perfil, horizonte e objetivo do cliente. Um possível script: “O Brasil definiu o plano nacional de IA, o que significa que estamos entrando numa nova fase de competitividade para empresas que usam tecnologia e dados. Vamos avaliar sua carteira para ver quem já está preparado e quem pode enfrentar risco de atraso.”

O assessor pode preparar relatórios curtos com exemplos de empresas, mostrando: “Empresa A investe X% em IA, já tem parcerias estratégicas, patente aplicada.” Ou “Empresa B, apesar de operar no setor, ainda não divulga estratégia de IA e pode estar vulnerável”.

Importante também oferecer cenários: “Se a adoção de IA no Brasil acelerar, podemos ver valorização em empresas de tecnologia e serviços. Se houver atraso regulatório ou falha de execução, a dispersão de retorno será maior e o risco de obsolescência mais elevado.”
 

Uma reunião semestral de “inovação e transformação” em carteira ajuda a consolidar a pauta junto ao cliente.

Plano de IA no Brasil

A adoção da inteligência artificial deixou de ser um tema periférico para se tornar central na agenda de competitividade das empresas brasileiras — e na estratégia de investimentos. Para o assessor de investimentos que deseja se diferenciar, entender o plano nacional de IA, mapear os impactos nas empresas e setores, ajustar alocações e preparar o discurso com o cliente é tarefa que exige proatividade e visão de longo prazo.

Em resumo: inovação não é mais apenas “o que pode dar certo” — é também “o que pode ficar para trás”. No mundo da assessoria, antecipar essa mudança e atuar com clareza e embasamento é uma vantagem competitiva real.

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